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O ganho de peso saudável depende do IMC antes da gravidez. Pelas curvas brasileiras adotadas pelo Ministério da Saúde, a faixa total até 40 semanas é de 9,7 a 12,2 kg para baixo peso, 8 a 12 kg para eutrofia, 7 a 9 kg para sobrepeso e 5 a 7,2 kg para obesidade.

O peso saudável a ganhar na gestação não é um número único: ele depende do índice de massa corporal (IMC) que a mulher tinha antes de engravidar. Pelas curvas brasileiras de ganho de peso gestacional, adotadas pelo Ministério da Saúde e presentes na Caderneta da Gestante, a recomendação total até 40 semanas é de 9,7 a 12,2 kg para quem começou com baixo peso, 8 a 12 kg para quem estava com peso adequado (eutrofia), 7 a 9 kg para sobrepeso e 5 a 7,2 kg para obesidade.

Mais importante do que o número final é o ritmo do ganho ao longo dos trimestres e a qualidade da alimentação. Ganhar pouco ou ganhar demais traz riscos diferentes para mãe e bebê, e o acompanhamento nutricional ajuda a manter a curva dentro do esperado sem dieta restritiva, que não combina com a gravidez.

Como saber em qual faixa eu estou?

O ponto de partida é o IMC pré-gestacional, calculado com o peso de antes da gravidez relatado pela gestante (quando ela não sabe informar, usa-se o peso medido bem no início da gestação ou o peso habitual) dividido pela altura ao quadrado. A classificação usada nas curvas brasileiras é:

  • Baixo peso: IMC abaixo de 18,5.
  • Eutrofia (peso adequado): IMC a partir de 18,5 e abaixo de 25.
  • Sobrepeso: IMC a partir de 25 e abaixo de 30.
  • Obesidade: IMC igual ou acima de 30.

Com essa classificação, o profissional de saúde acompanha o peso em cada consulta do pré-natal e marca na curva correspondente, observando se o ganho está abaixo, dentro ou acima da faixa recomendada.

Quanto ganhar em cada trimestre?

As curvas brasileiras trazem faixas acumuladas por trimestre. De forma resumida:

  • Até 13 semanas: é esperado um ganho pequeno para mulheres com baixo peso ou eutrofia. Para quem começou com sobrepeso ou obesidade, não é esperado ganho nesse período, e uma pequena perda pode acontecer, muitas vezes pelos enjoos.
  • Até 27 semanas: o ganho acumulado recomendado vai de 5,6 a 7,2 kg no baixo peso, 3,1 a 6,3 kg na eutrofia, 2,3 a 3,7 kg no sobrepeso e 1,1 a 2,7 kg na obesidade.
  • Até 40 semanas: as faixas totais citadas no início deste texto.

Esses números orientam, mas não substituem a avaliação individual. Gestação de gêmeos, doenças prévias, idade e histórico obstétrico podem mudar a conduta, que deve ser discutida com o obstetra.

Por que ganhar peso demais preocupa?

O ganho excessivo está associado a maior risco de diabetes gestacional, hipertensão e pré-eclâmpsia, bebê muito grande para a idade gestacional, parto mais complicado e maior dificuldade de voltar ao peso depois do parto. Se você quer entender melhor essa relação, leia o artigo sobre diabetes gestacional e alimentação.

No consultório, eu vejo que o ganho acelerado raramente vem de uma única causa. Costuma ser a soma de fome aumentada, cansaço, enjoo que melhora com carboidrato simples, menos movimento e a velha ideia de que a gestante precisa comer por dois.

E ganhar pouco peso, também é um problema?

Sim. O ganho insuficiente está associado a restrição de crescimento do bebê, baixo peso ao nascer e parto prematuro. Mulheres com enjoos intensos, rotina muito corrida, histórico de transtorno alimentar ou medo de engordar precisam de atenção especial. Em nenhuma fase da gravidez a restrição alimentar por conta própria é indicada.

Comer por dois é mito?

É. A necessidade de energia aumenta pouco no primeiro trimestre e sobe gradualmente no segundo e no terceiro, mas está muito longe de dobrar. O que aumenta bastante é a necessidade de alguns nutrientes, como ferro, folato, iodo, colina e proteína. Por isso a pergunta mais útil não é quanto comer, e sim o que comer.

Como a alimentação ajuda a manter o ganho de peso saudável?

  1. Refeições com proteína, fibra e gordura boa: aumentam a saciedade e evitam picos de glicose que geram fome logo depois.
  2. Lanches planejados: frutas com castanhas, iogurte natural, ovos cozidos, tapioca com recheio proteico. Quem chega com muita fome ao jantar tende a exagerar.
  3. Carboidratos de melhor qualidade: arroz integral, feijão, batata-doce, mandioca e aveia, no lugar de pães brancos, doces e sucos frequentes.
  4. Água como bebida principal: refrigerantes e sucos adoçados somam muitas calorias sem saciedade.
  5. Movimento liberado pelo obstetra: caminhadas e atividades adaptadas ajudam no controle glicêmico e no bem-estar.
  6. Sono e estresse: noites mal dormidas aumentam a vontade de doces.

O ganho de peso na gestação é só gordura?

Não. Boa parte do peso ganho corresponde ao bebê, à placenta, ao líquido amniótico, ao aumento do útero e das mamas, ao maior volume de sangue e de líquidos no corpo e a uma reserva de gordura que é fisiológica e será usada, em parte, na amamentação. Entender isso ajuda a olhar para a balança com menos culpa e mais informação.

Como acompanhar o peso em casa sem ansiedade?

Algumas gestantes se sentem mais tranquilas acompanhando o peso em casa; outras ficam ansiosas a cada número na balança. Se você for se pesar, faça isso com pouca frequência, sempre na mesma balança, no mesmo horário e com roupas parecidas, de preferência pela manhã. Oscilações de um dia para o outro são comuns por retenção de líquidos, intestino e hidratação, e não significam ganho de gordura.

O mais útil é olhar a tendência ao longo das semanas e levar os registros para o pré-natal e para a consulta nutricional. Se a balança virar motivo de sofrimento, deixe o acompanhamento com a equipe de saúde e foque nos hábitos do dia a dia.

Como é o acompanhamento nutricional na gestação?

No acompanhamento nutricional para gestantes, o plano é trimestral, porque cada fase tem necessidades diferentes. Avalio sinais, sintomas, histórico e hábitos, peço exames para investigar carências, acompanho o peso e monto o plano alimentar junto com a gestante, dentro da realidade dela. Entre as consultas, o acompanhamento é por WhatsApp. O atendimento é online, a partir de São Paulo, para gestantes de todo o Brasil e brasileiras no exterior, e caminha junto com o pré-natal feito pelo obstetra.

Se o seu desafio agora são os enjoos, veja também as estratégias alimentares para enjoo na gravidez.

Procure o obstetra rapidamente se notar inchaço súbito no rosto e nas mãos, dor de cabeça forte, alterações na visão, ganho de peso muito rápido em poucos dias ou perda de peso com vômitos persistentes.

Perguntas frequentes

Quantos quilos posso ganhar na gravidez se meu peso era normal?

Pelas curvas brasileiras adotadas pelo Ministério da Saúde, mulheres com IMC pré-gestacional entre 18,5 e 24,9 (eutrofia) devem ganhar de 8 a 12 kg até 40 semanas. O acompanhamento individual pode ajustar essa meta.

É normal perder peso no primeiro trimestre?

Uma pequena perda pode acontecer, principalmente por enjoos, e para mulheres com sobrepeso ou obesidade não é esperado ganho nesse período. Perda importante com vômitos persistentes deve ser avaliada pelo obstetra.

Posso fazer dieta para emagrecer durante a gestação?

Dietas restritivas não são indicadas na gravidez. O objetivo é ganhar peso dentro da faixa recomendada com uma alimentação de qualidade, e isso pode ser feito com acompanhamento nutricional sem passar fome.

A gestante precisa comer por dois?

Não. A necessidade de energia aumenta de forma gradual e moderada, principalmente no segundo e terceiro trimestres. O que aumenta bastante é a necessidade de alguns nutrientes, por isso a qualidade da alimentação é o foco.

Qual a diferença entre as curvas brasileiras e as recomendações antigas?

Até 2022, o Brasil usava referências internacionais. As novas curvas foram construídas com dados de gestantes brasileiras e passaram a ser adotadas pelo Ministério da Saúde na Caderneta da Gestante.

O acompanhamento nutricional online serve para gestantes?

Sim. A consulta por vídeo, a análise de exames, o acompanhamento do peso e o suporte por WhatsApp funcionam bem a distância e complementam o pré-natal feito pelo obstetra.

Conteúdo informativo, revisado em 16 de setembro de 2026. Não substitui consulta individual com nutricionista ou médico.